O essencial deste guia
- Defina a pergunta de decisão, a unidade de análise, a população, o período e a métrica antes de pedir gráficos.
- Forneça schema e dicionário de dados; nomes de colunas não explicam significado, unidade, ausência ou processo de coleta.
- Peça plano e código reproduzível, não apenas conclusões narrativas ou números calculados silenciosamente.
- Trate dados ausentes, duplicatas, outliers, mudanças de definição e seleção antes de interpretar relações.
- Correlação não prova causalidade; valide cálculos, premissas, privacidade e impacto da decisão.
Comece pela decisão, não pela planilha
“Analise estes dados” não define sucesso. Especifique a decisão, o público e o que seria uma descoberta útil. Pergunte, por exemplo, se atrasos cresceram por região no último trimestre e quais segmentos explicam a variação. Declare unidade de análise — pedido, cliente, mês — e população.
Defina métricas antes de ver o resultado para reduzir escolhas oportunistas. Receita pode ser bruta, líquida, reconhecida ou recebida; churn pode ser de clientes ou receita. Inclua fórmula, moeda, fuso, período e regra de inclusão.
Separe análise exploratória, que busca padrões e gera hipóteses, de análise confirmatória, que testa uma hipótese definida. A primeira é flexível; a segunda exige protocolo, premissas e controle de múltiplas comparações.
Decisão: [decisão]. Pergunta: [pergunta]. Unidade de análise: [unidade]. População e período: [escopo]. Métrica principal e fórmula: [definição]. Segmentos autorizados: [lista]. Antes de calcular, reformule a pergunta, liste premissas, riscos de viés e dados ausentes que podem impedir uma conclusão.
Forneça schema, dicionário e contexto de coleta
Coluna “status” não revela valores possíveis; “data” não diz fuso nem evento; zero pode representar ausência ou valor real. Entregue nomes, tipos, significado, unidade, domínio, chaves, granularidade e regra de nulos. Explique de onde os dados vieram e que transformações já ocorreram.
Inclua relações entre tabelas e cardinalidade. Um join muitos-para-muitos pode multiplicar linhas e inflar totais sem erro de sintaxe. Defina chave primária e nível de cada tabela antes de combinar.
Use uma amostra pequena e anonimizada para elaborar código, mas valide no conjunto completo. Amostra pode não conter categorias raras, problemas de encoding ou datas extremas.
| Campo do dicionário | Exemplo | Risco se omitido |
|---|---|---|
| Unidade | valor_total em BRL | Comparar moedas ou escalas distintas |
| Granularidade | uma linha por item do pedido | Contar pedido várias vezes |
| Ausência | -1 significa não coletado | Tratar ausência como valor |
| Tempo | UTC, evento de pagamento | Agrupar no dia ou evento errado |
| Chave | pedido_id + item_id | Join duplicado |
| Origem | ERP, extração diária | Ignorar atraso ou mudança de sistema |
Faça um diagnóstico de qualidade antes da análise
Peça perfil de tipos, intervalos, categorias, nulos, duplicatas, consistência e chaves. Compare volume por período para detectar falhas de carga. Registre cada regra de limpeza e quantas linhas ela afeta.
Dados ausentes não devem ser preenchidos automaticamente. Investigue se a ausência é aleatória, ligada a um grupo ou resultado do processo. Imputação altera distribuição e incerteza; justifique e faça análise de sensibilidade quando necessário.
Outlier pode ser erro ou evento importante. Verifique origem antes de remover. Mudanças de definição e instrumentos ao longo do tempo podem criar uma tendência artificial. O prompt deve pedir evidência para cada exclusão.
- Tipos e formatos inesperados.
- Chaves ausentes ou duplicadas.
- Categorias equivalentes com grafia diferente.
- Valores impossíveis e unidades misturadas.
- Quebras de série após mudança de sistema.
- Nulos concentrados por grupo, período ou canal.
Peça um plano analítico antes do código
Um bom plano liga pergunta, variável, transformação, método, gráfico e critério de interpretação. Solicite alternativas e explique por que uma técnica é adequada. Se não houver informação suficiente, o modelo deve parar e perguntar.
Defina ferramentas e versões — SQL, Python, R, planilha — e exija código executável em etapas. Use nomes de variáveis claros, comentários sobre decisões e verificações intermediárias, como contagem de linhas antes e depois de joins.
Evite entregar apenas o arquivo final. Guarde consulta, notebook ou script, ambiente, parâmetros e sementes. Reprodutibilidade permite revisar e atualizar a análise.
- Reformular pergunta e hipótese.
- Validar schema, unidade e escopo.
- Descrever limpeza sem alterar ainda os dados.
- Escolher métricas, métodos e gráficos com justificativa.
- Definir verificações e análise de sensibilidade.
- Produzir código em etapas reproduzíveis.
- Interpretar somente após validar saídas.
Análise descritiva, comparação e incerteza
Comece com contagens, distribuição, tendência e composição. Médias escondem assimetria; inclua mediana, percentis e dispersão quando apropriado. Sempre mostre denominador: “20 reclamações” muda de significado em 100 ou 100 mil atendimentos.
Ao comparar grupos, verifique tamanho, composição e período. Uma diferença bruta pode refletir mistura de perfis. Intervalos de confiança e tamanhos de efeito ajudam a evitar conclusões baseadas apenas em significância ou variação aleatória.
Peça que a interpretação inclua magnitude, incerteza e limitações. Não use causalidade sem desenho adequado. “Associado a” e “ocorreu junto com” são descrições mais honestas quando há apenas dados observacionais.
Visualizações que respondem a uma pergunta
Escolha gráfico pela relação: linha para tendência temporal, barras para categorias, dispersão para associação, histograma para distribuição. Evite pizza com muitas categorias, eixo truncado que exagera diferença e mapas sem normalização por população.
Peça título que declare a pergunta, rótulos com unidade, fonte, período e notas de definição. Acessibilidade exige contraste, padrões além da cor, texto alternativo e ordem de leitura. O modelo pode escrever código, mas confira escalas e dados representados.
Para executivos, destaque a descoberta e a decisão sem esconder incerteza. Para analistas, inclua detalhes e acesso ao código. Nunca permita que uma narrativa forte substitua a tabela de verificação.
Crie código para um gráfico de [relação] usando [dados]. Não altere a base original. Inclua unidade, período, denominador, fonte e intervalo de incerteza quando aplicável. Explique por que escolheu o gráfico, liste transformações e produza uma tabela com os valores exibidos para conferência.
SQL, planilhas e código: valide cada transformação
Em SQL, forneça dialeto, schemas, chaves e definição da métrica. Peça CTEs nomeadas, filtros explícitos e verificações de cardinalidade. Compare contagens e totais antes e depois de joins. Atenção a nulos, divisão inteira, timezone e duplicidade.
Em planilhas, informe localização das colunas, separador, idioma e versão. Prefira fórmulas transparentes e tabelas auxiliares a uma sequência opaca. Verifique referências absolutas, intervalos e tratamento de erros.
Em Python ou R, fixe dependências, não sobrescreva dados brutos e produza artefatos intermediários. Peça assertions de schema e testes para funções de transformação. Execute tudo do início ao fim em ambiente limpo.
Privacidade, segurança e justiça
Dados pessoais, financeiros, médicos ou confidenciais não devem ser enviados a uma ferramenta não autorizada. Minimize campos, use ambiente aprovado e controle acesso. Pseudonimização não garante anonimato quando combinações permitem reidentificação.
Analise se grupos estão representados e se a métrica cria tratamento desigual. Uma correlação histórica pode refletir discriminação ou falta de acesso. Não use a IA para inferir atributos sensíveis ou tomar decisões sobre pessoas sem base legal, governança e supervisão adequada.
Proteja também contra fórmulas, consultas ou códigos maliciosos em arquivos. Valide entrada e execute código gerado em ambiente isolado, com permissões mínimas.
Revisão e comunicação responsável
Recalcule amostras manualmente ou com método independente. Compare totais com fonte de controle, leia linhas aleatórias e examine resultados contraintuitivos. Peça uma crítica que procure vazamento temporal, seleção, confusão, agregação inadequada e múltiplas comparações.
O relatório deve separar fatos observados, interpretação, hipótese e recomendação. Descreva qualidade dos dados, suposições, limitações e o que poderia mudar a conclusão. Não esconda resultado nulo.
Mantenha trilha de auditoria: versão dos dados, código, prompts, ambiente, revisores e aprovação. Atualize quando a fonte ou regra de negócio mudar.
- Conferir população, período, filtros, unidades e denominadores.
- Validar joins, nulos, duplicatas e transformações.
- Reproduzir números principais por cálculo independente.
- Revisar método, incerteza, viés e linguagem causal.
- Testar gráficos, acessibilidade e interpretação.
- Registrar código, fonte, versão, limitações e responsável.
Perguntas frequentes
A IA pode analisar uma planilha sozinha?
Pode ajudar a explorar e escrever código, mas precisa de pergunta, dicionário e contexto. Verifique cálculos, joins, ausências, premissas e privacidade antes de usar conclusões.
Posso enviar dados de clientes?
Somente em ambiente autorizado e conforme base legal, contrato e política. Minimize campos e evite ferramentas públicas para dados pessoais ou confidenciais.
Como evitar números inventados?
Peça código e tabelas intermediárias, limite a fonte aos dados fornecidos, recalcule amostras e exija que valores ausentes sejam marcados, não estimados silenciosamente.
Correlação encontrada pela IA indica causa?
Não. Causalidade exige desenho, premissas e análise apropriados. Em dados observacionais, use linguagem de associação e investigue confundimento e seleção.
Qual gráfico devo pedir?
Depende da relação: tendência, comparação, distribuição, composição ou associação. Defina pergunta e público, depois escolha o gráfico e valide escalas, unidades e acessibilidade.
Fontes e referências
Conteúdo educacional baseado nas fontes abaixo. Tecnologias, regras e serviços mudam; consulte sempre a versão mais recente antes de tomar decisões profissionais, jurídicas, financeiras ou de saúde.